O cérebro é mais poderoso que genes

O cérebro é mais poderoso do que o patrimônio genético do indivíduo, segundo o biólogo Sydney Brenner, que ajudou Francis Crick a decifrar o código genético.

Para ele, que é o ganhador do prêmio Nobel de Medicina em 2002, as tentativas atuais de melhorar a espécie humana com a manipulação genética não são perigosas, mas ridículas, segundo divulgou o jornal suíço NZZ am Sonntag.

Suponhamos que queremos um homem mais inteligente. O problema é que não sabemos com exatidão que genes manipular, acrescenta o biólogo de origem sul-africana, segundo o qual há um instrumento para transformar a humanidade de modo duradouro: a cultura. Eu explico deste modo: o cérebro humano é mais poderoso do que o patrimônio genético. Devemos, por isso, nos concentrar mais na evolução cultural, cujo funcionamento ainda desconhecemos, diz Brenner, de 77 anos.

O importante é fazermos esse tipo de pergunta em vez de nos empenharmos na magia genética, garante Brenner, para quem a forma mais importante de aprendizagem é a educação. O cientista afirma que as diferenças de patrimônio genético entre os diferentes organismos são muito pequenas: todos os animais, incluindo o homem, compartilham os genes mais importantes.

Não sabemos onde estão as diferenças no patrimônio, mas não há genes especificamente humanos. Nada mais absurdo do que a afirmação de alguns de ter encontrado o gene que nos permite falar, critica. Brincando, respondo-lhes que eu também encontrei o gene que nos faz engordar e que é aquele que faz abrir a boca. Muita gente tem uma idéia um tanto ridícula do que é e do que um gene pode fazer, diz o biólogo.

O importante, diz, são os grupos de genes que influenciam em uma determinada função complexa, por exemplo, no sistema imunológico. Estes grupos se formaram em uma classe de animais, por exemplo, os vertebrados, há muitíssimo tempo e foram se diferenciando depois.

É fundamental analisar essas diferenças para entender como funcionamos. Podemos, por exemplo, isolar um gene de um peixe e implantá-lo no genoma de um rato para medir a função que ele pode desempenhar no roedor, assinala o cientista. Dessa forma podemos chegar a conclusões sobre como funcionam distintos grupos de genes em diferentes organismos, algo que fizemos em parte em nossos trabalhos com um peixe japonês, lembra Brenner.

O biólogo afirma que muita gente tem a idéia romântica e totalmente equivocada de que o todo é algo mais do que a soma das partes e as interações entre elas e acrescenta: Não há nada mais por trás: todos os organismos vivem de acordo com esse princípio. Não é preciso se deixar intimidar pela complexidade (do organismo). É preciso tentar entender os genes e suas funções para, então, passar ao nível imediatamente superior, que é o da célula. Esse é o método científico, diz.

Fonte: (Portal Unimeds com informações da EFE)